31.12.03

Adeus 2003, Viva 2004

2004. Ano de Europeu de Futebol em Portugal. Gostava de ir ver alguns jogos, não sou daqueles que dizem mal da selecção só por dizer. Claro que alguns compatriotas já deviam ter arrumado as botas mas também não é esse o objectivo deste texto. Infelizmente já não há bilhetes. Não faz mal, há sempre a televisão.

2004. Ano de Rock in Rio em Lisboa. Quando eu me decidir a ir ver algum concerto em algum dos dias, o que é difícil porque aposto que os únicos 2 ou 3 que gostaria de ir ver, vão ficar espalhados pelos dias todos, também já não vai haver bilhetes. Não faz mal, há sempre a televisão, os Cd's e os DVD's. Dá muito menos trabalho.

2004. Ano de "onde-é-que-foram-parar-os-feriados-e-porque-é-que-vão-calhar-todos-ao-fim-de-semana?". Aqui nada nos safa.

2004. Ano de alguns casamentos e alguns nascimentos no meu círculo de conhecimentos (rimou e é verdade). O que vale é que estas coisas já se sabem com a antecedência devida.

2004. Ano de sabe-se lá mais o quê. Cá estaremos para ver se vai ser pior ou melhor que este.
Façam por isso.

Um excelente ano de 2004 para todos.

30.12.03

Não há pachorra

Ontem demorei 1h45m a chegar a casa. Leia-se: uma hora e quarenta e cinco minutos. Desse tempo, cerca de 4/5 foram só para conseguir passar a ponte 25 de Abril. Aliás, foi ao volante no interminável pára-arranca que comecei a escrever este post, com a ajuda dos meus velhos mas não esquecidos amigos, papel e caneta. Não há pachorra, é o que vos tenho a dizer. É nestes dias que me arrependo amargamente de ter vindo morar para a margem sul. Mas onde é que eu estava com a cabeça quando pensei, e concretizei, esse passo agora maldito?

Mas não era suposto estar toda a gente de férias? Não era suposto não haver trânsito? Era. E até é. O problema são os imbecis que resolvem ter acidentes nos acessos, no tabuleiro ou na saída da ponte e conseguem a proeza maior ainda, de o fazer à hora de ponta. Conheço alguém que diz que deviam ser multados ainda por cima. E deviam mesmo. Atrasam a vida a milhares de pessoas que não têm culpa nenhuma (moi même que em mais de 10 anos de carta nunca tive um único acidente mas já sofri inúmeras vezes em filas intermináveis por causa das distrações e estupidezes dos outros).

Depois há os imbecis maiores ainda que ao passar por um acidente abrandam quase até aos 0 à hora na esperança de conseguir alcançar a visão de uma manchinha só de sangue que seja e é ver as cabecinhas todas dentro de cada carro, quanto mais forem mais se viram, a olhar na direcção da chapa batida que felizmente na maioria das vezes, não passa disso mesmo. E mais raiva me dá a mim que não tenho acidentes, não abrando para ver o sangue dos outros e só quero é chegar a casa dentro dos timings normais.

Estão a ver o "Falling Down" em que o Michael Douglas sai do carro no meio de um engarrafamento e o larga ali mesmo e desata aos tiros a quem encontra pelo caminho? Foi isso que me apeteceu fazer ontem (excepto a parte dos tiros bem entendido). É que me apeteceu mesmo. Foi o pior dia de "passagem de ponte" que apanhei desde que tive a bendita ideia de vir morar na Margem Sul do Tejo. Mas como a vida não é um filme, consegui manter a pontinha de sanidade que faltou ao Michael Douglas e mantive-me dentro do carro a suspirar e a fazer cara de poucos amigos como todos os condutores nas viaturas do lado.

Um dia conto-vos as vantagens de morar na margem sul mas hoje, sinceramente, não me apetece muito!

29.12.03

A pior cena da semana

Não tenho por hábito comentar as notícias televisivas. Ok, não ando por aqui há tempo sequer suficiente para o ter feito e vou já começar a abrir uma excepção. Também não tenho por hábito ver as notícias da SIC aos domingos à noite. Divirto-me muito mais com as diabruras do meu ex-professor Marcelo. Mas ontem calhou. E ontem calhou precisamente apanhar os comentários do Dr. Pacheco Pereira relativamente a um programa que passou nesse mesmo canal e que mereceu da parte do comentador a escolha para a rubrica "A pior cena da semana". Não podia estar mais de acordo.

A cena não poderia ter sido mais ridícula, mais deprimente, mais deplorável do que foi.
Cenário: festa de Natal da SIC a partir da Prisão de Tires
Personagens: João Baião, 3 reclusos e uma senhora de identidade incógnita

João Baião chama 2 mulheres e um homem ao palco. Eram reclusos mas não eram 3 reclusos quaisquer, tinham de ser mesmo aqueles 3 porque caso contrário o espectáculo perdia a graça. O homem nem queria ir, foi literalmente obrigado por uma senhora, certamente dos Serviços Prisionais. Depois JB perguntou-lhes o nome, há quanto tempo estavam presos, quanto mais tempo iam ficar por lá. Nem sei como não lhes perguntou que crimes tinham cometido. A reclusa brasileira estava divertida, nem parecia que estava na situação em que estava, já havia 4 anos. A portuguesa era mais tímida e o rapaz não queria mesmo estar ali, estava "sem cabeça para isto" segundo as suas próprias palavras. Quisesse ou não quisesse não tinha outro remédio. Porque JB, qual juiz ou mesmo Deus, tinha uma surpresa para todos e proferiu as palavras mágicas que todos os presos ali certamente gostariam de ouvir: A partir de hoje estão livres.

... momento de reflexão ...

E onde fica a privacidade de um momento como esse, como bem referiu o comentador? Onde ficam os direitos, deles e dos outros reclusos que não tiveram a sorte de serem bafejados pela escolha do apresentador para o acompanhar no placo? Claro que aquela foi uma boa notícia para aqueles 3, mas tinha de ser dada assim? Na festa de Natal? À frente de todos os presos? À frente das câmaras de televisão? Para todo o país? Porventura foi a SIC que os soltou para lhes estar a dar aquela prenda? Resumindo: Porquê???

Antes 1000 Big Brothers, pelo menos esses sabem ao que vão e escolhem expor-se em busca da fama. Os 3 desgraçados que foram obrigados a subir ao palco expuseram-se ao país inteiro (infelizmente aquela coisa a que chamaram programa ainda deve ter tido umas audiências jeitosas) sem nunca o terem pedido. Neste momento toda a gente sabe que estavam presos, que cometeram algum tipo de crime e que foram soltos em directo na televisão. Dá para chegar ainda mais baixo?

Quanto a mim vou continuar a ver o meu ex-professor Marcelo.

24.12.03

Quero-te tanto

A vida vai torta
Jamais se endireita
O azar persegue
Esconde-se à espreita

Nunca dei um passo
Que fosse correcto
Eu nunca fiz nada
Que batesse certo

E enquanto esperava
No fundo da rua
Pensava em ti
E em que sorte era a tua
Quero-te tanto
Quero-te tanto

De modo que a vida
É um circo de feras
E os entretantos
São as minhas esperas

E enquanto esperava
No fundo da rua
Pensava em ti
E em que sorte era a tua
Quero-te tanto
Quero-te tanto

Obrigada Tim. Obrigada Xutos.

23.12.03

Mea Culpa

... Filhós (é assim?)

E votos de um fantástico Natal para a pessoa que conheço que mais gosta do dito. Ela sabe quem é: obrigada por partilhares o espírito!

Natal

Que melhor altura para começar a desbobinar pensamentos do que durante a euforia do Natal? Ou durante a falta-de-melhor-do-que-fazer-enquanto-esperamos-por-horas-melhores do que a abençoada época natalícia?
Já despachei os presentes (prendas, prendas, prendas!!!), não vou fritar filhozes [:-)] nem tão pouco tenho crianças com que me preocupar... vou escrever o que me vai na alma. Muitas coisas me ocorrem, nem todas publicáveis e demasiado íntimas para o ciberespaço. Sobre a vida, as pessoas, os amigos, a família, os colegas, toda a gente que gira à nossa volta e que nos inspira a fazer alguma coisa.
A mais importante é mesmo que amanhã é Natal. E não, não é quando um homem quiser. Isso pode ser outro dia qualquer. Natal é mesmo só amanhã e depois. E a seguir vem o fim-de-ano e fazemos promessas à meia-noite que começamos logo a quebrar mal rompem os primeiros raios de sol da manhã do novo ano. E ficamos mais velhos, e mais velhos, e mais velhos e a vida parece sempre igual, ano após ano.
Bolas, que nostalgia dos tempos em que acordava de repente no dia 25 e corria pela casa fora. Tinha um monte de prendas (presentes, presentes, presentes!!!) debaixo do meu sapato e outras tantas debaixo do sapato do meu irmão e mais umas quantas debaixo de sapatos dos dois!
O Pai Natal era esperto, enquanto cabiam debaixo da chaminé na cozinha ficavam por ali mas o fogão era pequenito e depressa se espalhavam pela sala.
Era uma alegria.
Era mesmo Natal.
E depois cresci.

Circo de Feras

Circo de Feras não precisa de apresentações. Para mim é o nome da primeira música que conheci dos Xutos. A primeira de uma longa paixão a que vou certamente voltar noutra altura. Agora é também o nome do meu blog. Se toda a gente tem um, achei que também tinha de vir experimentar. Vamos ver se é para durar. Ou não, ou não. Para já, ainda me estou a 'des'orientar com isto.